Túnel do Carpo e outras Mononeuropatias aposentam?

Acidente de Trabalho não são apenas os acidentes momentâneos, mas também são agravos decorrentes de Doenças Ocupacionais, entre elas as Mononeuropatias, que são doenças (patia) que afetam um único (mono) nervo (neuro) craniano ou periférico, que podem ser causados por traumas ou infecções.

 

Auxílio acidente Síndrome do Tunel do Carpo e outras Mononeuropatias

Entre as entidades nosológicas que acometem os membros superiores estão:

 

Síndrome do túnel do carpo (G56.0) – Pelo túnel (ou canal) do carpo passa o nervo mediano, que nesta patologia é comprimido pela infecção ou lesão do túnel do carpo, causando uma dor forte. É causada em geral pela flexão e extensão do punho repetidas, principalmente se associadas com força, fechamento forte das mãos (compressão mecânica), uso de força na base das mãos e vibrações. O exame ouro é a eletroneuromiografia.

 

Síndrome do pronador redondo (G56.1) – É causada pela compressão do nervo mediano na altura do cotovelo, entre as duas porções do músculo pronador redondo, causando intensa dor. Associa como causa a supinação e pronação repetidas e repetição de esforço manual com antebraço em pronação. O diagnóstico é clinico, mas difícil por causa da grande quantidade de outras doenças que acometem a região do cotovelo. O exame a ser feito é a eletroneuromiografia.

 

Síndrome do canal de Guyon (G56.2) – É a síndrome caracterizada pela compressão do nervo ulnar na região do punho, no canal ou túnel de Guyon. Trata-se de quadro pouco comum, associado com exposições a movimentos repetitivos (flexão, extensão) de punhos e mãos, contusões contínuas, impactos intermitentes ou compressão mecânica na base das mãos (região hipotenar ou borda ulnar), vibrações. O exame ouro é a eletroneuromiografia.

 

Lesão do nervo cubital (ulnar) (G56.2) – Também conhecida como neuropatia ulnar ou paralisia ulnar tardia, o termo síndrome do túnel cubital é de uso comum para todas as neuropatias compressivas do nervo ulnar na região do cotovelo. O nervo ulnar é responsável pela sensibilidade do dedo mínimo e de parte do dedo anelar, alem de fornecer inervação motora para diversos pequenos músculos da mão. Na maioria das vezes não existe uma causa específica para a compressão, mas em alguns casos pode haver associação com o uso repetitivo do cotovelo, fratura, luxação, artrite ou pequenos traumas repetitivos na região. Doenças sistêmicas como o diabetes, o alcoolismo crônico, a insuficiência renal e a má nutrição podem predispor o paciente a uma neuropatia compressiva. O efeito cumulativo desses fatores pode provocar isquemia e inflamação na região, que resulta em disfunção do nervo.

 

Lesão do nervo radial (G53.3) – O nervo radial, proveniente inerva toda a musculatura extensora do dorso do braço e antebraço, além de um músculo flexor do antebraço em semi-pronação, o músculo braquiorradial e a inervação cutânea sensitiva do dorso das mãos e dedos. A causa mais freqüente é ANATÔMICA, pela compressão na borda fibrosa da porção superficial do curto supinador que na infância é fina passa a espessa na fase adulta, esta arcada é fibrosa em 80% dos pacientes operados. As fraturas com desvio da cabeça do radio provocando traumatismo do nervo direto pelo deslocamento ósseo ou pelo edema e fibrose posterior ao trauma.

Lesões expansivas, tumores, do cotovelo comprimindo o nervo não são freqüentes. As mais comuns são: Lipomas e cistos que podem levar a formação de neuromas e até axonotmese podem ser diagnosticados através do ultra-som no pré-operatório.

Há uma paralisia idiopática, também chamada paralisia dos amorosos, que é provocada pela pressão da cabeça de um dos amantes no braço do outro, durante o sono. ao acordar, a mão está caída.

 

Compressão do nervo supra-escapular (G56.8) – Síndrome provocada pela compressão do nervo supra-escapular em sua passagem sobre a borda superior da escápula ou por meio do forame supra-escapular. A exposição ocupacional está associada a atividades em que há uso de tiras largas nos ombros para o transporte de peso, exigências de elevação de objetos pesados acima da altura do ombro e histórico de acidentes de trabalho com fratura de escápula e/ou traumatismos do ombro. O quadro clínico se caracteriza por dor escapular, comprometimento de movimentos e força de abdução e rotação externa do braço. Em estágios avançados, pode haver hipotrofia do músculo supra-espinhoso e ou infraespinhoso. A compressão exclusiva do ramo inferior do supra-escapular pode provocar fraqueza isolada do músculo infra-espinhoso. O exame a ser feito é a eletroneuromiografia.

 

 

Caracterização da Incapacidade para o Trabalho e Benefício Previdenciário

Entre o aparecimento da doença e a incapacitação para o trabalho, está a falta de meios de prevenção da doença e a falta de disponibilização e uso efetivo dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) que leva a um agravamento à doença.

 

A incapacidade para o trabalho está presente quando a doença causa nos pacientes alterações e dores que impeçam de exercer sua atividade profissional habitual.

 

A maiorias das mononeuropatias não tem cura, mas tratamento que pode levar à remissão. Assim, quando uma doença ocupacional incapacita o trabalhador, tende a não permitir o retorno para a mesma atividade com os mesmos riscos ocupacionais sem a grande probabilidade do retorno da doença e da incapacidade laboral.

 

Dessa forma, é necessário se reconhecer que mesmo remissiva, a incapacidade é parcial (pois limita as funções laborais do paciente) e permanente (pois não tem cura).

 

 

Data de Início da Doença e Data de Início da Incapacidade

A doença pode surgir muitos anos antes da existência de qualquer tipo de incapacidade, sendo que pode nunca vir a se manifestar.

 

Entretanto, a Data do Início da Incapacidade deve ser fixada na data da primeira manifestação de dores fortes pelo paciente, que muito provavelmente será comprovada por consulta médica e uso de analgésicos, tendo em vista as fortes dores. Entretanto, há que se verificar o relato do paciente, pois as dores geralmente são noturnas, e tendem a desaparecer durante o dia, levando o paciente a acreditar que a patologia foi momentânea.

 

 

Profissões e atividades econômicas mais expostas e que há NTEP

As profissões que mais correm risco de mononeuropatias são os trabalhadores na produção de frango, bovinos, suínos, aves, e derivados, assim como na produção de alimentos à base de trigo, cacau, molhos e cremes. Também ocorrem comumente na indústria têxtil, calçadista, agasalhos, roupas intimas, águas de colônia e perfumes, Camaras de ar, botijões e artefatos de plástico, banheiras e louças, metalurgia, ferramentas e utensílios de cozinha, eletrônicos, geradores de energia, autopeças e jogos eletrônicos e fliperamas.

 

Também são vítimas comuns os trabalhadores de supermercados e similares, restaurantes, bares, telemarketing, internet e cabos telefônicos e fibra ótica, televisão por assinatura, limpeza e asseio em geral, bancos e correios, serviços de digitação hospitais e outros setores administrativos.

 

 

Caracterização como doença grave

As mononeuropatias não são consideradas doenças graves. Aposentadoria por invalidez só é possível quando a incapacidade para o trabalho se prova algo permanente. Dependendo do resultado da perícia, é possível conseguir o benefício de auxílio doença ou acidente.

 

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