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A imagem mostra um médico, vestido com roupas cirúrgicas no centro cirúrgico. Ilustra o texto sobre médico aposentado continuar trabalhando.

Médico aposentado pode continuar trabalhando? O que diz a Lei?

“O médico aposentado pode continuar trabalhando?” Acredite, essa é uma pergunta que recebo quase todos os dias e que gera muitas dúvidas entre os profissionais da área.

Apesar da aposentadoria especial ser uma grande opção para médicos e todos os profissionais da saúde que são expostos à insalubridade, esta dúvida sempre fica quando o assunto é aposentadoria.

Decisões relativamente novas do STF definiram muito como devemos levar esta questão e, pensando nisso, resolvi reunir as principais questões e explicar de uma vez por todas como funciona a aposentadoria do médico.

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Como funciona a aposentadoria especial do médico?

No Brasil, a aposentadoria especial é um benefício previsto para trabalhadores que exerçam atividades com exposição a agentes nocivos à saúde, como substâncias químicas, físicas ou biológicas. Ou seja, isso inclui o médico.

Médicos que trabalham em ambientes com alta exposição a agentes biológicos, como vírus e bactérias, podem ter direito à aposentadoria especial. 

No entanto, a caracterização dessa exposição e a comprovação dos riscos envolvidos são necessárias para o reconhecimento deste direito.

Antes da Reforma da Previdência de 2019, para obter a Aposentadoria Especial como médico no INSS, era necessário apenas cumprir 25 anos de atividade especial e uma carência de 180 meses (um requisito válido tanto para homens quanto para mulheres). 

Esses eram os únicos critérios exigidos, sem requisitos adicionais.

após a Reforma, a aposentadoria especial para médicos, conforme as regras estabelecidas, exige uma das seguintes condições:

  • 60 anos de idade e 25 anos de atividade especial comprovada, OU;
  • 25 anos de atividade especial comprovada somados a 86 pontos, que resultam da combinação da idade, do tempo de atividade, OU;
  • Somente 25 anos de atividade especial comprovada, desde que completados até 12/11/2019.

O médico aposentado pode continuar trabalhando?

Um médico aposentado com aposentadoria especial do INSS não pode continuar exercendo atividades especiais após a concessão do benefício. 

No entanto, ele pode prosseguir em atividades que não sejam consideradas insalubres, como funções administrativas.

Em alguns casos, você pode continuar atuando em atividades especiais se o tempo de serviço especial for convertido em tempo comum.

Para médicos que recebem aposentadoria especial pelo Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), é essencial consultar as regras específicas do RPPS em questão, pois as regulamentações podem variar entre diferentes regimes.

Além disso, alguns RPPS não permitem a conversão de tempo especial em comum.

O que diz a lei sobre aposentado continuar trabalhando?

O aposentado especial pode continuar trabalhando, mas não pode exercer atividades insalubres ou perigosas que garantiram o benefício. 

O Tema 709 do STF consolidou que, se o beneficiário continuar em ambiente de risco ou retornar a ele, a aposentadoria será suspensa. É permitido atuar em funções administrativas, técnicas ou outras áreas sem risco.

A Lei nº 8.213/91 (art. 57, § 8º) proíbe o aposentado especial de trabalhar com exposição a agentes nocivos, regra confirmada pelo STF, pois o objetivo é proteger a saúde do trabalhador.

Se comprovado que o aposentado especial continua em atividade nociva, o INSS pode cancelar o benefício.

Em quais condições o médico pode continuar trabalhando após a aposentadoria especial? 

O médico pode continuar trabalhando após a aposentadoria especial em atividades administrativas, de gestão, ou qualquer função que não envolve nenhuma exposição a agentes insalubres.

O médico pode mudar a forma como atua, exercendo atividades em áreas sem exposição à insalubridade. Por exemplo, um cirurgião encerra suas atividades na sala de cirurgia e passa a administrar seu consultório médico.

Regras para médico trabalhar após aposentadoria especial

Médicos aposentados por regra especial não podem continuar exercendo atividades insalubres ou perigosas (hospitais, UTI, radiologia), sob risco de perder o benefício, conforme o Tema 709 do STF. 

Portanto, o médico aposentado pela modalidade especial pode atuar em atividades administrativas, aulas, consultórios sem exposição a riscos ou atividades não especiais, ou seja, que não envolvam exposição a agentes insalubres.

E se o médico optar por continuar trabalhando em atividade especial?

Caso o médico opte por continuar trabalhando em atividade especial, ele pode converter o tempo que possui, se aposentando pela modalidade comum de aposentadoria.

Entretanto, atenção: a conversão de tempo especial só é uma possibilidade para os segurados do INSS que contribuíam antes da Reforma da Previdência de 2019.

Como o tempo especial “vale mais”, a conversão pode ser uma solução para se aposentar mais rápido e ainda continuar em atividades insalubres.

Entretanto, o mais aconselhável é contar com o auxílio de um advogado especialista em Direito Previdenciário para que ele analise com profundidade quais são as melhores opções.

Agora, caso o médico já tenha se aposentado pela modalidade especial, o trabalho que envolve exposição a agentes insalubres é proibido, fazendo com que o benefício possa ser interrompido a qualquer momento.

Como reativar aposentadoria especial suspensa?

Reativar uma aposentadoria especial suspensa depende fundamentalmente da causa da suspensão. A causa mais comum, conforme o Tema 709 do STF, é o retorno do aposentado a atividades nocivas à saúde (insalubres, no caso do médico).

Saiba que, se você voltou a trabalhar em ambiente insalubre ou perigoso, o INSS suspende o pagamento enquanto durar o trabalho nessa condição.

Para reativar o benefício, você deve sair do ambiente nocivo ou mudar para uma função administrativa (comum) na mesma empresa ou em outra.

Acesse o “Meu INSS” e procure por “Solicitar Emissão de Pagamento não Recebido” ou “Reativação de Benefício”.

Depois, envie documentos (como a rescisão do contrato de trabalho insalubre ou nova carteira assinada em atividade comum) que comprovem que você não está mais exposto ao risco.

Conclusão

A aposentadoria especial é uma forma de recompensar pessoas que estiveram expostas a agentes insalubres ou em atividades perigosas.

Portanto, os requisitos exigem menos tempo de contribuição e menos idade. Ou seja, apesar das mudanças ocorridas na Reforma da Previdência, esta modalidade continua sendo vantajosa, principalmente para os trabalhadores que já contribuíram antes da Reforma.

A questão é “não dormir no ponto”, deixando direitos de lado e perdendo tempo no momento de solicitar a aposentadoria. Cada dia sem realizar o pedido, é um prejuízo financeiro que não pode ser reavido.

No caso de médicos que queiram continuar trabalhando, vale a atenção para não ser uma atividade insalubre, caso a aposentadoria especial seja a escolhida.

Assim, preste atenção no seu histórico de contribuição, avalie seus desejos profissionais e entenda qual opção é a mais segura para seu caso em específico.

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Marcela Cunha

Advogada, OAB/SC 47.372 e OAB/RS 110.535A, sócia da Koetz Advocacia. Bacharela em Direito pela Faculdade Cenecista de Osório – FACOS. Pós-Graduanda em Direito Previdenciário pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande do Sul (ESM...

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